O número de emplacamentos é a principal forma de mensurar como está o mercado automobilístico, montante esse mais utilizado do que a venda de carros propriamente dita. Sendo assim, é através dele que se pode entender a evolução dos valores e a real situação do nicho de automóveis como um todo que, atualmente, não é a melhor possível, nem de longe.

Ainda assim, o mercado brasileiro de carros continua sendo um dos maiores do mundo, com grande importância para todos os principais fabricantes, estando ele junto a outros países tidos como emergentes e que apresentam um hábito de consumo parecido, como a Índia, a África do Sul, o México e, em alguns casos, a China. Este último é bastante utilizado para o desenvolvimento de novos veículos para o Brasil, mas seu tamanho e necessidades se diferenciam muito das vistas por aqui.

Pensando em tudo isso, o que ocorre é que, embora as tendências sejam mundiais e os brasileiros as sigam de forma mais constante agora, cada mercado apresenta suas próprias peculiaridades, o que faz com que as montadoras tenham que adaptar seus projetos para que possuam um bom resultado e, consequentemente, seus acionistas se mantenham felizes. Sem isso, não há mercado, simples assim.

Como funciona o mercado Brasileiro

Como qualquer outro país, o Brasil tem um gosto específico, que se reflete diretamente nos hábitos de consumo da população. Diferente de outros mercados, como o da Europa, por exemplo, os hatches médios — como Volkswagen Golf, Hyundai i30, Chevrolet Cruze Sport6 e o finado Ford Focus — praticamente desapareceram das ruas, assim como as peruas de todos os tamanhos — você se lembra do último lançamento de algum modelo assim nos últimos anos?

Da mesma forma, os grandes queridinhos do consumidor brasileiro passaram a ser os SUVs que, de certa forma, ajudaram no desaparecimento das categorias citadas acima, especialmente por disputarem em uma mesma faixa de preço. Os sedãs parecem ser os únicos a conseguir, ainda, competir com os tais crossovers, mas não se sabe por quanto tempo isso acontecerá.

De tranquilos nessa história estão somente os hactches compactos, que como Chevrolet Onix, Hyundai HB20, Ford Ka, Volkswagen Polo, Fiat Argo e tantos outros, ainda continuam competitivos e vendendo bem. Além disso, este é o único mercado que ainda não foi invadido pelas SUVs — especialmente pelo tamanho e faixa de preço —, o que o torna, pelo menos por enquanto, imune a essa nova onda de consumo.

Todas essas informações passadas acima são, de maneira bem rápida, perceptíveis ao se dar uma olhada nos emplacamentos desse ano. Por conta disso que as montadoras têm se movimentado de forma tão constante, já que elas perceberam que, se não entenderem as necessidades do consumidor, seus lucros cairão drasticamente. Não adianta mais criar veículos e vender ao público. Elas precisam criar veículos para o público.

O mercado brasileiro em números

Em 2018 foram emplacados no Brasil, segundo a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) em seu Anuário 2018, cerca de 2 milhões e 100 mil automóveis, dos quais mais de 54% das vendas foram feitas nos últimos seis meses do ano.

Já no ano de 2019, o que se pode ver é que a movimentação quanto à participação de cada marca continua semelhante ao que vem acontecendo nos últimos anos, visto que, nos primeiros cinco meses do ano, a General Motors manteve seu posto como a fabricante que mais emplacou veículos no país, com uma fatia de 19,10% — grande parte disso devido ao Chevrolet Onix, o carro mais vendido do Brasil.

A Volkswagen — que perdeu o posto de primeiro colocado tanto nas montadoras quantos nos modelos, com seu bem-sucedido Gol — agora é a vice líder, com uma participação de mercado de cerca de 14,67%. Fechando o pódio aparece a francesa Renault, que com seus queridinhos Sandero e Logan, conseguiu abocanhar, até aqui, 9,39% dos compradores.

A coreana Hyundai aparece logo após a Renault, em quarto lugar com 9,19% de participação de mercado — muito graças ao HB20 — e a Fiat fecha o TOP 5 com 8,9%, bem abaixo dos números que costumava apresentar alguns anos atrás. Vale a pena dizer, entretanto, que a italiana domina com bastante folga — mais de 40% — o mercado de comerciais leves, onde as picapes Toro e Strada apresentam certa vantagem perante os demais concorrentes.

A queda e o crescimento

Ainda utilizando dados fornecidos pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) em seu Anuário 2018, é possível analisar que os emplacamentos no Brasil têm variado muito nos últimos anos, especialmente por conta da crise econômica e política que o país passou durante esse período, como é possível analisar no gráfico abaixo.

Os emplacamentos passaram de cerca de 2 milhões e 800 mil em 2014 para 1 milhão e 600 mil em 2016, uma queda próxima a 40% em dois anos. Após esse período, as vendas passaram a aumentar, mas ainda se apresentam abaixo do que já foram. Para se ter uma ideia, em 2018 foram comercializados apenas 2 milhões e 100 mil carros, cerca de 25% a menos do que os números verificados em 2014.

Muito desses dados se deve ao fato de o país não ter, na realidade, escapado da crise, mas sim melhorado uma situação que estava bem ruim. Dessa forma, é possível ver um crescimento que, ainda que não seja o suficiente, dê esperanças para quem depende do mercado. O povo ainda está sem o poder de compra que tinha há alguns anos e, sendo o carro um dos bens mais caros que um brasileiro possui, é natural que este seja o último investimento que ele pense em fazer enquanto se recupera fincaneiramente.

O futuro do mercado automotivo brasileiro

Obviamente que o crescimento do número de emplacamentos não depende somente da vontade do consumidor, mas também de um ambiente econômico mais estável e uma segurança maior de investimento. Sendo assim, o que se pode esperar nesse momento é um aumento lento dos números, ao menos até esses dois pontos serem solucionados ou, ao menos, melhorados.

Ainda assim, já é possível fazer previsões para os próximos anos — não quanto a números, mas sim quanto a modelos. É fato que os SUVs vieram para ficar e já conquistaram boa parte da população do país, o que faz com que cada vez mais montadoras se lancem a esse nicho em específico. Dos mais baratos aos mais caros, é só ligar a televisão para verificar a quantidade de lançamentos que surgem a cada dia.

Além desse fator, outro que, ainda que mais lento, irá começar a crescer ao longo dos próximos anos é o de veículos sustentáveis, considerando aqui tanto os elétricos quanto os híbridos — aqueles que combinam um motor elétrico a um movido a combustível. Os lançamentos de carros com esse tipo de tecnologia já se iniciaram, mas ainda dependem de uma política pública mais ativa para conseguirem, enfim, se popularizar nas garagens brasileiras.

Como dito acima, é difícil prever os resultados de emplacamentos futuros no Brasil, mas as mudanças do mercado como um todo já se iniciaram. Se você pretende se preparar para o que está vindo, as cartas já estão na mesa há um bom tempo.

Os emplacamentos no Brasil

Para quem trabalha com o mercado automotivo, gostaria de ter mais informações, ou ainda pretenda vender seu carro, analisar o número de emplacamentos é um bom início, visto que é a partir dele que se explica o mercado futuro e atual. Além disso, entender os porquês do que ocorre é essencial, já que é assim que se torna possível traçar novas estratégias para seu negócio ou suas futuras negociações.

Por fim, agora que você já tem um grande conhecimento sobre os emplacamentos do Brasil do momento atual, aproveite também para ler mais conteúdos no blog da Carprix e se tornar, de vez, um expert da área. Deixe abaixo seus comentários sobre esse texto, ou ainda se ficou com alguma dúvida ou tem uma sugestão de novos artigos. Não se esqueça também de curtir a Carprix nas redes sociais, fazendo com que você seja sempre o primeiro a saber quando um novo post estiver no ar!


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