A desvalorização é uma das maiores preocupações de qualquer um que compra um carro, especialmente quando o veículo é 0km. Todo mundo entende, basicamente, como funciona o processo, mas, ainda assim, restam algumas dúvidas sobre o assunto e, principalmente, sobre o que faz esse bem perder tanto valor de uma hora para outra.

A história é sempre a mesma: você compra um carro — no sacrifício, economizando cada centavo, e ainda pagando juros extremos no financiamento — e passa alguns anos com o veículo, utilizando-o normalmente. Quando, finalmente, resolve troca-lo por um modelo mais novo — depois de juntar algum dinheiro e fazer diversas contas —, descobre que o seu automóvel já não vale nem metade do que pagou, o que praticamente inviabiliza a troca por um novo.

Com certeza você já passou por uma situação como essa, ou ao menos conhece alguém que já. Por isso sabe a importância deste tema e os problemas que ele pode trazer a sua vida financeira. Sendo assim, ficam as dúvidas: por que há tanta desvalorização nos carros? Como é calculado esse índice? Quais modelos perdem mais valor com o passar dos anos?

Se você quer entender melhor esse assunto e se precaver quanto aos perigos da desvalorização, continue neste texto e torne-se um expert do setor automotivo.

O que é a desvalorização?

Para entender o conceito de desvalorização — ou depreciação — de um veículo, é preciso antes entender que este nada mais é do que um bem de uso contínuo, como qualquer outro produto, como um celular ou computador. Assim, ele possui um tempo de vida útil, ou seja, o período que este poderá ser utilizado por um ou mais usuários.

Pensando como um comprador, analisa-se a seguinte situação: você chega a uma loja para comprar um carro, e visualiza dois modelos idênticos, sendo um 0km e outro seminovo, com mais de 10.000km rodados. Logicamente, o valor do primeiro deve ser maior, visto que você não pagará o mesmo valor por um produto novo e outro usado, correto? Pois bem, essa é a lógica da desvalorização.

Para haver concorrência e os automóveis usados não ficarem encalhados no estoque, eles devem apresentar um valor mais baixo que seus semelhantes novos, simples assim. Entretanto, é preciso entender que diversos são os fatores que influenciam no índice de desvalorização de um carro — já que nem tudo pode ser definido apenas por uma ótica — e é isso que veremos logo abaixo.

O que afeta a desvalorização?

Como dito acima, vários são os fatores que podem afetar na desvalorização — ou não — de um veículo, passando desde o próprio modelo e marca, até os opcionais, o estado de conservação, a quilometragem e o mercado como um todo. Para entender melhor esses conceitos, vamos falar de cada um dos casos citados.

É sabido que algumas marcas e modelos tendem a se depreciar mais conforme o tempo, principalmente por conta da opinião pública quanto à montadora, casos de recall e até pela dificuldade de encontrar peças. Isso se dá porque, como qualquer outro mercado, o que vale aqui é o conceito de oferta e demanda. Se o consumidor não procura tal carro — por qualquer motivo que seja — este tende a ter seu valor diminuído para se adequar à demanda.

Assim, é simples entender o porquê de os modelos mais vendidos terem um índice de desvalorização menor quando comparados a veículos importados, por exemplo, já que os primeiros possuem um mercado muito maior.

A lista de opcionais de um veículo também pode influenciar diretamente no valor do modelo após certo período. Carros automáticos e mais completos são mais buscados nas lojas de seminovos, o que faz com que seus valores se mantenham altos, enquanto automóveis sem itens tidos como básicos para sua categoria — tais como ar condicionado para um hatch compacto, câmbio automático para um SUV e bancos de couro para um sedã médio — tendem a se depreciar cada vez mais.

O estado de conservação de um veículo também conta bastante, assim como a quilometragem do mesmo. Esses fatores implicam por representarem os gastos que um futuro comprador poderá ter com o carro, algo a ser descontado do valor do automóvel. Veja bem, se um veículo está com 30.000km rodados, sua manutenção será diferente de um modelo com 120.000km, e assim por diante. Da mesma forma, se o bem apresenta riscos, amassados, ou qualquer outra avaria, o comprador irá questionar.

Como é calculada a desvalorização?

Uma das formas de saber a desvalorização de um veículo é através da tão conhecida Tabela FIPE, que analisa os valores praticados no mercado e, através deles, chega a uma média de preço do modelo em questão. Com isso, é possível verificar quanto está custando um veículo similar 0km e, portanto, o quanto de valor de mercado ele perdeu em determinado período.

Ainda assim, é preciso destacar que esta é uma média que nem sempre funciona, até porque neste cálculo não estão presentes alguns dos fatores citados acima. O que ocorre, entretanto, é que essa acaba sendo a forma mais simples de se chegar à porcentagem de depreciação de um veículo e, consequentemente, a mais utilizada pelo mercado.

Outras empresas também fazem pesquisas semelhantes, inclusive com uma estratégia bem parecida, mas que às vezes apresentam dados diferenciados, talvez por conta da quantidade da amostra analisada, a localização, e tantos outros fatores que podem afetar uma pesquisa.

Modelos com maior e menor desvalorização

Com tudo que você já aprendeu nos parágrafos acima, já é possível ter uma ideia de quais os modelos apresentam maior e menor índices de desvalorização, não é? Ainda assim, é preciso entender que alguns dos veículos que você verá abaixo podem te surpreender. Isso ocorre por conta de algumas variações de mercado no último ano, notícias envolvendo determinados automóveis e outros fatores que podem fugir da normalidade.

Assim, utilizando como base um levantamento feito pela empresa KBB — que analisou veículos 0km de ano/modelo 2019, que já possuem ofertas no mercado de seminovos, e os valores entre as duas opções —, chega-se a lista dos veículos que mais e menos desvalorizaram em 2019.

Maior Desvalorização

  1. Fiat Toro (-18,06%)
  2. Fiat Strada (-17,83%)
  3. Ford Focus Fastback (-17,76%)
  4. Ford Focus Hatch (-16,18%)
  5. Ford Ka Sedan (-15,91%)
  6. Fiat Weekend (-15,47%)
  7. Renault Duster Oroch (-14,73%)
  8. Ford Ranger (-14,70%)
  9. Citroën Aircross (-14,48%)
  10. Fiat Grand Siena (-14,35%)

Menor Desvalorização

  1. Peugeot 5008 (-0,59%)
  2. Toyota Hilux (-1,92%)
  3. Toyota Yaris Hatch (-2,01%)
  4. Vokswagen Golf (-2,27%)
  5. Volkswagen Fox (-2,65%)
  6. Mitsubishi L200 Triton (-2,66%)
  7. Volvo XC60 (-2,72%)
  8. Mercedes-Benz Classe A (-3,23%)
  9. Porsche 911 Turbo (-3,43%)
  10. Porsche Cayenne (-3,44%)

Como a desvalorização afeta sua vida

Você já deve ter percebido que a desvalorização afeta diretamente sua vida e, principalmente, seu bolso, ainda mais se já teve que negociar seu veículo. Assim, é importante que entenda bem o conceito para, na próxima vez que for comprar ou vender seu carro, ficar atento a todos esses detalhes e conseguir sair feliz da negociação.

O carro é um bem pelo qual fazemos muito esforço para conseguir, então qualquer ajuda na hora de revende-lo — especialmente quanto a valores — é extremamente bem vinda. Sendo assim, e sabendo que com mais informação você estará apto a negociar melhor com o comprador ou vendedor, não deixe de pesquisar bem antes de anunciar seu carro ou procurar um novo automóvel para chamar de seu.

Com tudo que aprendeu sobre desvalorização durante esse texto, você já possui conhecimento o suficiente para negociar com qualquer um, sempre levando em consideração todos os pontos citados acima. Aproveite que está por aqui e nos diga sua opinião no espaço abaixo, assim como qualquer dúvida ou sugestão que possa ter. Não se esqueça também de seguir o Carprix em todas suas redes sociais, garantindo que você sempre esteja bem informado sobre o mercado automotivo brasileiro!

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